O Brasil vive hoje um momento delicado. As graves crises ambientais, sociais e de representatividade política se contrastam com a baixa capacidade das instituições públicas em responderem à altura dos desafios. Neste contexto, as crises se retroalimentam gerando apatia e contínuo agravamento.

Para criar novos ciclos de prosperidade e desenvolvimento, a criatividade, a sensibilidade, e o rigor técnico são essenciais. Mas a mudança não é a ausência da vontade de permanecer como se está – são processos que precisam ser nutridos. Inovações nascem de referências, conselhos e reflexões. E os livros são ótimas fontes de tudo isto. Sugerimos aqui 5 livros para ampliar horizontes e afiar as nossas habilidades de mudar o nosso cotidiano. 

  1. Poems, de Campbell McGrath 
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“Poems” é um livro de poesias em formato de diário, onde o autor discorre sobre o encanto e as dificuldades do dia-a-dia de forma tocante. Sua escrita é especialmente provocativa quanto à tendência de intelectuais em formação abandonarem sentimentos, paixão e verdade em detrimento dos jargões técnicos e despersonalizantes. É um livro que demonstra como conciliar estética, sentimento e teoria crítica; sem superficialidade.

2. Origens Agrárias do Estado Brasileiro, de Octavio Ianni

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“Origens Agrárias do Estado Brasileiro” é um dos cânones do pensamento social brasileiro. Nele encontram-se reflexões sobre as raízes da desigualdade social e concentração de poder (e de terras do país). Fundamental para compreender o porquê elites políticas rurais, religiosas e seus representantes formam agendas casadas e bancadas parlamentares, ditando assim os rumos das política nacional.

3. Sapiens – Uma breve história da humanidade de Yuval Noah Harari

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“Sapiens, uma breve história da humanidade” é um livro fundamental para contrapor tempo histórico e tempo biológico. Traz a perspectiva da nossa jornada como espécie, as mudanças ao longo dos milênios, e os eventos que as impulsionaram. Bom para elevarmos nossas reflexões sobre o caminho das comunidades humanas para além das conjunturas políticas e econômicas imediatas. Afinal, somos sociedade e matéria, mas também parte de uma jornada evolutiva cujo horizonte de tempo relevante é bem maior do que algumas décadas.

4. Truques da Escrita – para começar e terminar teses, livros e artigos; de Howard S. Becker

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O livro de Howard S. Becker nos traz uma rara oportunidade: a de acessar os conselhos e a mentoria de um dos grandes nomes da sociologia contemporânea. Através de uma perspectiva sensível e generosa, Becker confronta um dos tabus da prática sociológica – e, porque não dizer, das ciências sociais em geral: a capacidade de terminar o que se começou em termos de projetos de pesquisa, teses e livros. Longe de ser uma tarefa trivial ou puramente racional, o momento da conclusão de escritos é uma ocasião onde o cientista se confronta com suas expectativas e com a maneira como imagina o seu papel na sociedade. Becker nos mostra que os grandes também vivem estes dilemas, e nos dá elementos para superar a estagnação.

5. Sangue, Ossos e Manteiga; de Gabrielle Hamilton.

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Neste livro auto-biográfico, a cozinheira feminista Gabrielle Hamilton explora as difíceis contradições e desencontros do feminismo moderno. Não para desconstruí-lo, mas para aprofundá-lo e garantir a sua relevância para além das paredes da academia. O descobrir do feminismo de Gabrielle é contado a partir da sua tentativa pessoal de “implementação” das premissas da teoria crítica contemporânea, mostrando benefícios e limites. É um feedback de uma mulher que, como todas nós, definitivamente precisa do feminismo. Mas de um feminismo vivo, orgânico, pé no chão, orientado pelo imperativo da vida.